—É dia de festa por cá, á balburdia que estou vendo!—disse Jorge, adiantando-se emfim, e apparecendo aos olhos do fazendeiro, que se voltou precipitado ao ouvir-lhe a voz.—Quem visse dizia que passa por aqui procissão, em que nós somos mordomos.

Thomé, readquirindo a sua presença de espirito, respondeu:

—Procissão não digo, mas festa em que eu sou mordomo, ha de haver aqui, se Deus me der saude.

—Bem, visto que o Thomé é o juiz da festa, póde dispôr do seu tempo sem pedir licença a ninguem. Por isso ha de conceder-me um momento de conversa.

—Não, não, snr. Jorge, tenha paciencia; mas eu tenho grande empenho em dar andamento a isto.

—E eu absoluta necessidade de fallar-lhe.

—Ora valha-me Deus! E eu então que estou quasi a adivinhar o que me vae dizer!

—Talvez que não.

—O que lhe affirmo é que se me quer tirar da cabeça isto que se me metteu cá dentro, é tempo perdido.

—Não faça conjecturas anticipadas, Thomé. E sente-se primeiro.