—Já alguma vez meu pae deixaria de receber, como merecem ser recebidos, os filhos do snr. D. Luiz?

—Como merecem—ahi é que está a dificuldade. E se a consciencia me dissesse que eu não merecia esse bom acolhimento?

—Muito grandes deviam ser as suas culpas, para que meu pae se esquecesse da amizade que lhes deve, a si e aos seus, snr. Mauricio. Creio bem que a consciencia não lhe diz isso.

—Não, Bertha. Eu julgo-me com imparcialidade. Sei o que ha de reprehensivel no meu proceder inconsiderado; ainda que nada me peza na consciencia, emquanto ás minhas intenções.

—É o essencial.

—Não é para os outros. Por os actos me julgam e esses ás vezes condemnam-me.

—Nem todos os seus actos hão de ser maus. Os bons desfarão os effeitos dos outros—tornou-lhe Bertha, sorrindo.

—Succederá isso comsigo, Bertha? Não estarei ainda condemnado no seu conceito?

—Se principio por ignorar as culpas de que é accusado!

Maurício calou-se por algum tempo, como concentrando alentos para mais difficil resolução, e rompeu depois com maior vivacidade: