—É muito lisonjeira, prima Gabriella. Mas, quando eu sonhasse com tudo isso… E não negarei que mais de que uma vez essas phantasias me tenham enlevado, mas de que me serviria? Acaso o mundo está á minha espera para me patentear todas as portas d'esses logares de fascinação?

—Para os rapazes de vinte annos, de talento e de vontade não ha barreiras no mundo. Querer é poder. O mundo é menos feroz do que parece. Quando alguem se aproxima d'elle com a intrepidez e o arrojo do domador, esta terrivel fera abaixa a cabeça e não ataca.

—E qual póde ser a minha carreira n'esse mundo?

—Não se escolhe de longe. Na presença dos caminhos escuta-se uma voz interior, que nos diz: «Por aqui?»

—Mas creia que eu sou um inexperiente. Fóra d'estes ares sentir-me-ia embaraçado.

—Eu prometto acompanhar-te nos primeiros passos.

—Sómente nos primeiros?

Maurício fez a pergunta com uma entonação de voz e com um olhar, que causaram estranheza a Gabriella.

Fitou-o, como para perscrutal-o, e depois com um sorriso malicioso nos labios, tornou-lhe:

—Pareceu-me perceber uma musica de galanteio n'essa pergunta? Vê lá.
Pois nem eu te merecerei indulgencia e contemplação?