—O snr. Jorge é demasiado sincero na sua amizade a meu pae para aceitar essa missão de um homem de quem receiasse que me podia vir a infelicidade. Quero acredital-o.

Jorge irritou-se; irritou-se contra si por a turbação que sentia, e contra Bertha, por suspeitar que era o amor a Mauricio que lhe estava dictando aquellas palavras; por isso respondeu com o tom ironico do costume:

—Não duvido affirmar que o Clemente é um excellente rapaz, que póde fazer feliz qualquer mulher que não aspira a mais do que á estima leal e sincera de um homem de bem. Vejo em Clemente garantias de que dará a uma esposa de ideias razoaveis aquella felicidade que consiste na paz domestica e no amor da familia. Mas eu não sei se isto satisfará a toda a gente. Ahi está que as educações modernas fazem ás vezes o espirito das mulheres mais exigente e habituam-nas a sonhar com umas certas poesias na vida, que um homem como o Clemente sem duvida não póde realisar. A essas agrada ás vezes mais qualquer estouvado, com a cabeça cheia de loucuras e o coração vazio, mas que tenha a brilhante qualidade de saber dizer falsidades em bonitas palavras.

Depois, reprimindo esta excepcional vivacidade, que estava espantando
Thomé, acrescentou:

—Se, como creio, Bertha não está n'este caso, parece-me que encontrará em Clemente um marido leal.

Estas palavras pronunciou-as Jorge em tom sumido e baixando de novo o olhar para o livro que não lia.

Thomé voltou á falla:

—Sabes que mais, Bertha, estas coisas querem-se pensadas. Tu darás a resposta quando quizeres, que a pressa não é muita.

Bertha atalhou:

—Não é necessário, meu pae. A minha resolução está formada. Póde mandar dizer a Clemente que aceito.