—Emfim!—concluiu Luiza, suspirando e depois de seguir a filha com a vista—Vossês lá o lêem, lá o entendem. Mas não era isto o que eu esperava.

—Então que esperavas tu?—perguntou Thomé, levemente despeitado.—Julgavas talvez que viria por ahi algum principe pedir-te a filha para casar?

—Eu cá me entendo.

—E eu tambem te entendo. Que ainda ninguem te pôde tirar da cabeça umas teias de aranha que lá se metteram. Agora pelo menos deves estar desenganada.

Luiza suspirou e não deu resposta. Mas pensava comsigo:

—Bertha já eu vi, e a cara não é de noiva contente. Tenho pena de não vêr a d'elle. Mas emfim, seja o que Deus quizer!

XXVIII

Tinham decorrido alguns dias desde que a baroneza principiára a receber de Mauricio signaes inequivocos de um galanteio, que ella com as mais louvaveis intenções favorecia.

Durante todo este tempo o leviano rapaz consagrára à sua nova paixão todos os instantes, sujeitava-lhe todos os pensamentos. Não perdia a menor occasião de se encontrar com a prima e de renovar as scenas, que a agudeza de genio e a vivacidade de espirito de Gabriella sabiam rodear de attractivos inteiramente novos para a inexperiencia do apaixonado moço.

Em época alguma tinham os criados conhecido Mauricio tão caseiro como então; cessaram as suas correrias pelos arredores, e os cavallos só eram por elle tirados da ociosidade quando Gabriella se lembrava de passeiar pelos campos. Mauricio era então certo a acompanhal-a.