—É uma felicidade para elle.

—Assim tambem o julgo. Se alguem se aventura n'este casamento é a noiva.

—O snr. Mauricio tem uma boa alma, não dará motivos de arrependimento a quem depositar confiança n'elle.

—Hum! É muito rapaz—murmurou o fidalgo, fingindo sentir contra o filho maiores prevenções do que effectivamente sentia.

Bertha julgou que era occasião opportuna de pôr em pratica um projecto, que desde madrugada meditava.

Thomé da Povoa tinha-a na vespera procurado para lhe fallar na visita que recebêra da mãe de Clemente, e no que ella lhe dissera sobre o desgosto em que andava o filho com a demora do projectado casamento. Thomé não queria apressar a sahida de Bertha dos Bacellos, mas, lembrando-se de que o fidalgo ia melhor e de que, por certo, não seria elle o primeiro a dizer a Bertha que prescindia dos seus cuidados, pensava que seria bom que ella lhe insinuasse a necessidade de separação e para isso bastava pedir-lhe, como a padrinho que era, licença para o casamento que se ajustára.

Bertha perguntou ao pae se tinha já a certeza de que Clemente estivesse ainda resolvido a insistir na sua proposta. Thomé admirou-se da pergunta, porque nada sabia da conferencia da filha com o noivo, e assegurou-a de que a resolução de Clemente era ainda a mesma, visto que a mãe n'aquelle mesmo dia lhe viera recordar o ajuste.

Em vista d'esta declaração, Bertha prometteu fallar n'aquelle objecto a D. Luiz no dia seguinte, e era esse o ensejo que ella desde pela manhã procurava.

O assumpto a que a coincidencia das cartas de Mauricio e da baroneza chamava a conversa, preparára excellentemente o caminho para o pedido de Bertha.

Aproximando-se da cadeira em que estava sentado o padrinho, disse-lhe com o tom de affabilidade com que aprendêra a dominal-o: