—Mas emfim uma pessoa sempre diz: Não gosto d'aquelle, porque é feio, d'aquelle, porque é torto, ou porque é aleijado, ou porque tem mau genio, por isto ou por aquillo, eu sei lá! Mas tu…
—Sim, eu não tenho defeito que me faça engeitar, hein? Se todos me vissem com os seus olhos, minha mãe!
—Ora, mas vem cá, mas então dize-me…
—Perdão, ouça-me vossemecê primeiro. Bertha não sente inclinação por mim, porque a sentia já por outro. Está satisfeita?
—Olha a pateta da rapariga! Então já a sonsinha… tinha tambem o seu namorado! Que mundo este!
—Ó minha mãe, então se ella se agradasse de mim não era pateta, e lá porque se inclina para outro, já vossemecê faz um espanto d'esses! Que sou eu mais do que elles?
—Não é isso—disse a mãe um pouco embaraçada com o argumento—eu o que queria dizer era… emfim… se fosse um homem capaz… mas qual!… algum menino bonito, algum peralvilhito de Lisboa. Então disse-te assim mesmo na cara que não gostava de ti. E tu…
—Bertha disse-me que tinha tido uma paixão, mas que fazia por vencêl-a, porque não podia casar com o homem de quem gostava; e que se eu, sabendo isso, ainda a quizesse para mulher, ella não duvidava em dizer que sim, e que jurava que me seria fiel companheira na vida.
—Muito obrigada aos seus favores, mas não são cá precisos. Olha agora! Nem que tu morresses sem os seus bonitos olhos. Se deu o coração a outro, que lhe preste, e que passe por lá muito bem sem elle. Olha agora! Como quem diz: emfim eu não gosto de ti, mas vejo-te tão embeiçado, que me mettes pena. Graças a Deus, não faltam por ahi mulheres com quem cases, e se faltassem, tambem vivias bem sem ellas, que, Deus louvado, não te falta que comer, que é o essencial. Olha agora! Não que eu nunca vi umas delambidas como agora ha! Aquelle Thomé é quem tem a culpa.
—Ó minha mãe, já estou arrependido de lhe ter fallado n'isto. Olhem o escarceu que ahi está levantando!