—Ora não querem vêr a bonita cabeça que tem este rapaz? Está o casamento tractado, resolve agora não casar e nada de fallar n'isto ao pae da rapariga. Sim, que o Thomé é mesmo homem com quem se brinque e que se contente com meias razões.

—O que eu quero dizer é que não ponha a bôca em Jorge.

—Deixa-me cá. Sabes o que te digo? É que eu não sou mulher de planos. Ao sahir de casa para procurar alguem não penso no que lhe hei de dizer e no que hei de calar. Quando as palavras me veem á bôca, deixo-as sahir e não quero saber de contos. Mas vamos ao almoço, que são horas. Ora o Jorge! o Jorge! para o que lhe havia de dar! E o diacho da rapariga se apanha aquillo! Olha, eu não duvido, porque já ha muito tenho para mim que o Thomé nasceu n'um folle. Ora o diacho! Boa pequena é ella, coitadita, ainda que não andou muito bem comtigo, não, mas…

A mãe e o filho almoçaram, conversando sempre sobre o assumpto, e Clemente tentando combater a resolução que percebia na mãe de cumprir o que annunciára.

Anna do Védor, depois do almoço, deu as suas ordens e sahiu.

Ella fallára verdade, ao sahir não formára plano de conducta, mas instinctivamente dirigiu-se para a Herdade.

O caso de Jorge não lhe sahia da ideia.

XXXIII

A meio caminho da Herdade, a Anna do Védor, ao abrir uma cancella, para tomar por o atalho de um campo, deu de rosto inesperadamente com a pessoa que tanto lhe estava occupando o pensamento.

Jorge vinha em direcção opposta e preparava-se tambem para transpôr o portello.