—Então que quer? Tudo n'este mundo é sorte. Além de que a ti'Anna já estava tentada com aquella alma lavada do João Védor, e não se lhe dava volta.
—Foi o que te valeu, Luiza, senão bem perdias esta boa joia.
Luiza sorriu bonacheironamente como sempre fazia quando o marido gracejava.
—Mas que sancta a trouxe a esta sua casa?—perguntou Thomé—Olá, vamos cá a saber, quer tomar alguma coisa?
—Qual historia! De almoçar venho eu, e isso mesmo sabe Deus o que me custou.
—Então andas doente, Anna?—informou-se Luiza com bondosa solicitude.
—Eu doente? Ora essa! Eu sou lá creatura que adoeça?!
—E como vae o Clemente? o nosso Clemente?—perguntou Thomé—porque eu e
Luiza tambem já o podemos chamar nosso.
—Devagar, devagar, o melhor é não se costumarem a isso, para não lhes custar depois a perder o costume.
—A perder o costume? E porque o havemos nós de perder?