Depois murmurou:

—Aquella pobre rapariga tem uma alma nobre e heroica. Não seria ella que se trahiria por um signal de dôr, ainda quando sentisse despedaçar-se-lhe o coração.

—E corria esses riscos aqui?—perguntou a baroneza com affectada candura.

—Gabriella—continuou D. Luiz—Bertha sahiu victoriosa de uma grande lucta. O coração, porém, ainda lhe devia sangrar, e não era aqui que se lhe consolidariam as cicatrizes.

—São tão vagos esses dizeres! Ora vamos; diga-me o que houve; falle-me claro.

—Que havia de ser? Bertha é um anjo, mas sob a encarnação de mulher, tem um coração… e esse, sujeito a apaixonar-se como os outros.

Gabriella fez um gesto de quem tivera uma ideia subita.

—Ah! Já sei! Percebo agora! Era a isso que alludia? Cuidei que seria outra coisa mais grave.

D. Luiz fixou na sobrinha um olhar admirado.

—A Gabriella por certo não sabe ao que me refiro.