Do lado da porta eram porém ainda espessas as sombras, e D. Luiz não podia pois conhecer quem entrava.
A sala era extensa, e por isso alguns momentos decorreram, longos para a impaciencia do fidalgo, antes que os dois rapazes chegassem ao logar onde elle os esperava, escutando com estranheza aquelles passos, sem poder conjecturar de quem fossem.
A final proximos da cadeira do pae, pararam e guardaram por instantes silencio.
A fronte descoberta ficava-lhes alumiada pelo luar, e recebia d'aquella mysteriosa luz uma singular expressão de gravidade.
D. Luiz, reconhecendo os filhos, olhou fixamente para elles e perguntou-lhes admirado:
—O que é que pretendem?
Jorge foi o que respondeu.
—Se v. exc.ª nos quizer ouvir, meu pae, desejavamos fallar-lhe.
—Fallar-me?!—repetiu D. Luiz, em tom de espanto e quasi irritado.
—Sim, senhor.