—Se quer que lhe diga, achava até muito conveniente.

D. Luiz moveu com certa impaciencia a cabeça.

Gabriella insistiu:

—Queria antes que eu votasse pela continuação d'este estado de coisas, que o ha de matar, que infallivelmente o mata, porque—diga o tio o que disser—a companhia de Bertha é-lhe já tão necessaria como lhe foi a de Beatriz? Queria antes que eu votasse por esta ordem de coisas, que traz definhado seu filho e que irremediavelmente o sacrificará e com elle as esperanças de regeneração d'esta casa e d'esta familia? Desengane-se, meu tio, o futuro de sua familia está indissoluvelmente ligado a Bertha.

—Póde ser.

—Está, digo-lh'o eu, que bem conheço Jorge. Elle renunciou espontaneamente ao mais violento desejo do seu coração, julgando que seria empreza ao alcance das suas forças. O resultado está-se vendo. De dia para dia cresce n'elle o abatimento e as consequencias não é difficil prevêl-as. E diga-me se vale a pena sacrificar vidas tão preciosas e tão nobres e brilhantes projectos a um capricho aristocratico?

—Capricho?!

—Capricho, sim. Se invocar toda a sua philosophia, o tio Luiz ha de reconhecer que não merece outro nome esse escrupulo.

—Não será dever?

—Em que codigo lhe é imposto?