D. Luiz a custo reprimiu a sua impaciencia.

—E ella? Jorge, lembra-te de que essa menina ama-te, e talvez não tenha a força de alma que tu tens.

—Seria para Bertha peior tormento magoal-o, meu pae. Sei-o da bôca d'ella. Nunca aceitaria o seu sacrificio.

D. Luiz fechou por momentos os olhos, como para concentrar o espirito; depois disse quasi a medo:

—Sacrificio! Maior sacrificio seria o meu se renunciasse a têl-a junto de mim e a chamar-lhe filha. Não sei mesmo se para tanto me restam ainda forças. Eu já não sou o homem forte que fui, Jorge. Quasi mereço compaixão.

Jorge estremeceu ao ouvir estas palavras. Como que raiou uma subita claridade no seu espirito.

—Que quer dizer, meu pae? Pois não é por meu respeito que insiste…

—Queres obrigar-me a confessar toda a minha fraqueza, Jorge? Pois bem, confessarei. Fazendo a tua felicidade, farás também a minha. O logar de tua irmã só póde ser occupado por Bertha. Outra qualquer profanal-o-ia.

Jorge d'esta vez não o deixou concluir. Cedendo á paixão que emfim se expandia, pegou nas mãos descarnadas do pae e levando-as calorosamente aos labios, exclamou:

—Oh! obrigado, meu pae. É Deus que o inspira; é o espirito de minha irmã que o aconselha. Obrigado. Agora sim, desanuvia-se-me o horizonte e creio, creio deveras na felicidade. Triumpho! Obrigado, obrigado.