—Muito bem. Fez-se caixeiro. Não sabe? Atirou-se aos livros e á papelada da casa, como um homem, e já não ha de tirar-lhe palavra que não seja de contas e de negocios.
—E é um homem ás direitas—disse Thomé, com gravidade.
—Pois sim, mas podia distrahir-se mais um bocado. Mas então? Deu-lhe
Deus aquelle genio frio como gêlo!…
—Eu não sei lá se é frio ou se é quente. O que sei é que é um rapaz de juizo e que, se continuar assim, ha de remediar muita doudice, antiga e moderna, que ha lá por casa.
—A moderna é commigo, aposto. Não tem razão. Eu tambem estou decidido a trabalhar. Se ainda aqui me vê, a culpa não é minha.
—Então vae partir?—perguntou Bertha.
—Que remedio, Bertha? Cumpro uma dura lei. Deixo o coração por aqui, acredite; por esses valles, por essas devezas, por essas ribeiras… Mas que lhe hei de fazer?
—E para onde vae?
—Eu sei? Para onde me levar o destino. Mas o Thomé ri-se! Seu pae ri-se, Bertha!
—Rio-me da lamuria. Quem o ouvir, ha de acreditar que elle parte devéras e que lhe custa immenso a partida.