—Lá vae! lá vae! lá vae tudo com os diabos!—exclamou o guarda-livros—Adeus, minha vida; estou arranjado!

Carlos desatou a rir.

—Isso; ria-se, que tem muita graça! Então os senhores que fazem?—perguntou, descarregando as iras sobre os caixeiros—Ponham-se á palestra e a fumar, e eu que trabalhe; hein?

—Deixe estar que eu apanho isso—disse Carlos, continuando a rir.

E todos quatro principiaram a apanhar os papeis, dispersos por a sala.

—Vão lá saber agora…—proseguiu Manoel Quentino—vão lá saber agora a ordem em que eu tinha tudo isto! Olhem… olhem… Ficou bonita a carta do correspondente de Liverpool! Sim, senhores! Olhem para estas contas da gerencia da capella ingleza! Tambem ficaram asseiadas! Pois estas apolices… E o maldito cão a afocinhar-me na agua aquella minuta!… Passa fóra! Eh!… passa fóra, tratante.

E voltando á escrivaninha pôz-se a coordenar outra vez os papeis.

—Ó Manoel Quentino—perguntou-lhe Carlos já da janella—quem é aquella rapariga que está aqui defronte no terceiro andar? Aquella cara é nova para mim.

—Eu sei lá d'isso, homem? Tomára que me deixassem.

—Quem é, ó Paulo, você ha de saber. Um rapaz da sua idade…—disse
Carlos, dirigindo-se familiarmente a um dos caixeiros.