—Ho!—disse logo Mr. Richard, mortificado—Leeson!… de Londres!
Repara!… de Londres!?
Carlos conheceu que tinha sido inconveniente a observação, mas o peior era que não sabia corrigil-a, pois que de todo lhe esquecera o nome do tal correspondente.
—Ai, de Londres…—dizia elle embaraçado.—Eu julguei que… sim, de
Londres; é que me pareceu…
Mr. Richard esperava ouvir o verdadeiro nome, pronunciado por o filho; mas não succedeu assim.
Manoel Quentino, que tinha bem fundados motivos—motivos, que o leitor deve prever quaes fossem—para não julgar de instante necessidade pôr Carlos Whitestone ao corrente das noticias commerciaes, abriu comtudo a escrivaninha e, procurando a carta em questão, levou-a a Carlos, não podendo disfarçar um sorriso, ao qual este correspondeu com ligeiro movimento de hombros.
Carlos, em vez de citar o nome do correspondente, pôz-se portanto a examinar a carta.
—Falle-lhe n'aquelle negocio da aguardente—disse Manoel Quentino quasi ao ouvido de Carlos, antes de se retirar outra vez para a banca onde escrevia.
Mr. Richard pozera-se a passeiar na sala, esfregando as mãos, e de quando em quando parava junto da vidraça, onde tocava um ligeiro rufo. Não estava ainda de todo restabelecido da má impressão que lhe causára o haver encontrado o filho tão pouco sciente do nome dos correspondentes da casa.
Carlos ficou a olhar para a carta commercial, mas julgo que nem a lia.
Estava pensando como havia de aproveitar o conselho, pouco explicito, de
Manoel Quentino e fallar ao pae no tal problematico negocio da
aguardente, para elle inteiramente mysterioso.
Temia, referindo-se-lhe aventuradamente, aggravar as difficuldades da sua posição, longe de diminuil-as.