O escriptorio voltou ao primeiro silencio. A Praça estava quasi deserta. Como era terça-feira de carnaval, terminára mais cêdo a azafama do commercio. Os caixeiros bocejavam e o chiar da penna de Manoel Quentino augmentavam o effeito somnifero do logar.
De repente porém foi mais ruidosamente interrompido o silencio por o
«Trai larai, larai, larai, lai» do guarda-livros.
O bom homem, revendo o trabalho feito, descobriu omissões e enganos, que o obrigavam a refazel-o outra vez; a isto procedeu com exemplarissima paciencia.
Voltou a si todas as culpas.
—Ora eu devia ter mais juizo. Ainda me deixo distrahir como as creanças; merecia palmatoadas.
Depois, lembrando-se de Carlos:
—Aquelle traquinas tambem! Valha-me Deus!
Em seguida para os caixeiros:
—Os senhores podem ir embora. Vão ás mascaras, vão; e olhem se teem juizo e não arruinem a saude. Adeus. Eu ainda fico.
—Mas se quer que o ajudemos, snr. Manoel Quentino…—disseram elles, por deferencia.