Ficava proximo da cabeceira da mesa. Carlos era quem mais vezes conseguira encaminhar a um fito unico todas as attenções e modificar a assembleia a ponto de se lhe poder referir o conticuere omnes da Eneida;—verdade é que não tão completamente o fizera como o heroe troyano, pois nem tinha destruição de Ilion a descrever, nem a paciencia dos tyrios a escutal-o.

Carlos Whitestone passava por estar muito em dia com os boatos comicos e escandalosos, de que sempre e em toda a parte é tão sôfrego o paladar social.

Por isso o escutavam todos com prazer.

Sinto que não chegassemos a tempo de ouvir o principio da narração, que elle levava em meio.

—O nosso homem—dizia Carlos, accendendo um charuto no de um jornalista; seu vizinho—apesar do aviso que recebera, resolveu na melhor das boas fés…

—Então é a boa fé dos maridos—commentou a meia voz um padre, que, atrazado nas operações gastronomicas, investia com denodo contra um tymbale de pombos, ainda miraculosamente intacto, e acrescentou:—Não sei de outra, que a exceda.

—Regula por essa a dos amantes ingenuos—acudiu Carlos ao commentario.

—Mas é de menos consequencias—respondeu o outro.

—Silencio, padre Manoel!—bradaram algumas vozes—Vamos lá, Carlos; e depois?

—Depois—proseguiu Carlos—enfeitou-se, perfumou-se, aparamentou-se, frisou-se…