Manoel Quentino, depois de exame passado á scena, proseguiu:

—Esses homens de saias, que ahi estão, são os criados do tal fidalgo.
Andam á cata do amante, que vinha fallar com a rapariga ao jardim.

O argumento exposto por Manoel Quentino proseguiu por este teor e estylo, sem que Mr. Richard nem Jenny lhe dessem attenção.

Depois da chegada do barytono e durante o recitativo d'este, ia Manoel Quentino vertendo em vernaculo as phrases italianas que percebia, por conseguinte aquellas que menos precisavam de ser vertidas.

«Mortalnemico»—recitava no palco o barytono.—«Mortal inimigo»—traduzia o velho do camarote.—«Di mia prosapia»—dizia um.—«Elle mesmo confessa que tem prosapia»—interpretava, e d'esta vez desastradamente, o outro.—«Io fremo!»—acrescentava d'ahi a pouco tempo o cantor.—«Diz que treme»—traduzia Manoel Quentino.

E assim por diante, até que Mr. Richard, ao principiar no palco a aria:

Cruda… funesta smania.

pôz termo com ligeiro psiu aos luminosissimos esclarecimentos do guarda-livros.

Manoel Quentino calou-se logo, promettendo a continuação para o primeiro intervallo.

Antes do fim do acto, deu-se na plateia um incidente vulgar no nosso theatro, e cuja frequente repetição, em certos annos, mantem em perpetua tribulação o espirito dos emprezarios.