—Então quem era a final este senhor de tantos recatos e cautelas?—perguntou a criada, a quem a curiosidade mordia com verdadeira sofreguidão.

—Pois não conheceu? Era o filho do snr. Ricardo, do patrão do pae…

—Ai sim?! Como está um homem! A ultima vez que o vi, era elle uma creança… Pois olhe que… a respeito de educação… póde com a que tem… Sempre é herege!

—Por que diz isso?

—Então não viu o descôco, com que lhe pediu, e na minhã cara, para me mandar embora? E a menina então… foi logo! E que queria por fim este chincharabelho?

—Nada… E sabe?… Escusa de fallar a meu pae… n'esta visita…

—É porque… Jenny… e o irmão querem causar uma surpreza a meu pae… para o dia dos annos d'elle e… avisam-me… por isso…

Decididamente Cecilia não tinha geito para mentir; hesitava, córava, a dizer isto, que não era possivel illudir-se ninguem.

A criada que, segundo ella mesma dizia, tinha olhos para ver, notou este rubor e confusão, e commentou-os a seu modo:

—Aqui anda cousa. Ora queira Deus, queira!… Nem sei se diga ao snr. Manoel Quentino… Mas nada, nada; ella lá sabe voltar o pae para onde quer e a final quem fica mal sou eu. Lá se arranjem… Humh! Uma surpreza para o dia dos annos. Pois não foste! Para mim é que elles veem com isto!