—Mas então vista-se.

—Deixa-me descansar.

—Eu não saio, sem o ver saír.

Manoel Quentino foi obrigado a condescender. Estava intimamente persuadido de que era vantajoso para a filha passar aquella tarde com alguem, que a distrahisse; porque elle, nas tristes disposições de espirito em que se sentia, não via bem como o fizesse.

Saíu pois, para obrigar Cecilia a saír, e, ao mesmo tempo, ia em busca de distracções tambem.

Era um excellente homem Manoel Quentino, mas dotado de pouca penetração para investigar o enigma da tristeza de uma rapariga de dezoito annos. O seu excessivo amor de pae não o deixava ver claro n'isto. Tudo se lhe figurava presagio de doença, e essa ideia fixa privava-o da necessaria frieza, para ver claro n'estas cousas.

Cada manhã, ao acordar, era um pensamento negro o primeiro que se lhe apossava do espirito—«Irei encontrar Cecilia com doença declarada?»—pensava elle.

Todas as tardes, ao voltar a casa, em vez de tremer com o anticipado prazer de encontrar e abraçar a filha, tremia com o susto de a vir achar enferma.

Por mais que fizesse para tirar aquillo da ideia, não o podia conseguir. Dormindo, inquietava-lhe os sonhos; comendo, vertia-lhe fel na comida; trabalhando, distrahia-lhe a attenção do trabalho.

Os amigos do guarda-livros viam-o com olhos inquietos e murmuravam, uns com os outros, na ausencia d'elle: