—Porque?…—interrogou Manoel Quentino, passando-lhe um calefrio por todo o corpo e seccando-se-lhe subitamente a bôca, como em accesso de febre.
—Porque… pelos modos… sua filha… estava bastante doente…
Disseram que o tinham antes ido procurar ao escriptorio… mas…
Manoel Quentino já não escutava; encontrando forças no seu amor, sobresaltado assim, quasi deitou a correr por o mesmo caminho, pelo qual com dificuldade se arrastára até alli.
O que lhe dera o aviso pôz-se a rir, ao vel-o partir com tal pressa.
—Venham ver, venham cá ver!—dizia elle para os companheiros.
Um d'elles chegou á porta.
—Pobre homem! Chama-o. Olha que isso póde fazer-lhe mal.
—Ó Manoel Quentino! Psiu! Olhe que é hoje o l.°de abril, homem! Manoel
Quentino!
Mas o pobre velho nem o ouviu; cada vez corria mais.
Estes homens tinham celebrado o 1.° de abril—este dia que, não sei por quê, o uso popular consagra a reciprocas mystificações—ferindo no mais doloroso o coração de um pae! E ainda poderam rir!