Cecilia não; caracter apaixonado, era toda da ideia que a possuia. A irresolução, que devia áquelle estado de anciosa duvida, para tudo a inhabilitava.
Em nada consentia que lhe fallassem n'aquelle momento, nada queria escutar, de nada queria saber.
Anciada, nervosa, impaciente, febril, passava de uma para outra janella, voltava ao interior da sala, chegava ao patamar, e corria á janella outra vez.
Em uma d'estas occasiões ouviu duas mulheres, que passavam na rua, dizerem:
—Uma desgraça assim! Foram todos; uns morreram, outros ficaram aleijados para toda a vida.
O coração de Cecilia bateu com violencia ao ouvir aquillo. Não pôde reprimir-se, que não perguntasse ás mulheres de que desgraça fallavam.
E tremia de ouvir a resposta. Disseram-lhe que era de uma saibreira, que desabára na vespera sobre uns trabalhadores. Respirou!
De outra vez, era um homem que viera a correr desde o principio da rua e parára defronte da casa, irresoluto, como quem procurava reconhecer uma de entre aquellas diversas moradas. Cecilia queria perguntar-lhe quem elle procurava, mas quasi não tinha voz para o fazer, tal era o intenso terror, que se apossou d'ella, ao ver este homem.
Parecia-lhe impossivel que não fosse algum mensageiro de desgraças.
A final conseguiu fallar-lhe. O homem procurava um vizinho.