Carlos cortejou-a de novo e partiu a galope.

Ao vel-o partir, a consolação de uma esperança entrou pela primeira vez no coração de Cecilia.

Carlos era para ella um d'estes homens, que, se um dia tentam o impossivel, conseguem-o.

Ao voltar-se, achou Cecilia, a dois passos de si, Antonia e o snr. José
Fortunato, que olhavam com physionomias estupidamente pasmadas.

—Que foi fazer, menina?!—disseram elles quasi ao mesmo tempo.

—Aquillo a que me obrigaram. Se podesse, ia eu. Ha muito que não estaria aqui já, cansando inutilmente o espirito a procurar explicações e só a encontral-as assustadoras; se tivesse mais alguem a quem recorrer, não iria incommodar uma pessoa, a quem…

—Mas, n'esse caso, porque me não disse? então não estava eu aqui?—-perguntou José Fortunato, com a maior candura d'este mundo.

Cecilia fitou-o com olhar de raiva e nem lhe pôde responder.

—A fallar a verdade—disse Antonia—não sei o que parece! Pois a menina vae assim, sem mais nem menos, fallar da janella para baixo, com aquelle senhor?…

—Se a vizinhança por ahi visse…—acrescentava o outro, espreitando para verificar se a sobredita vizinhança teria de facto visto—E então quem? Um cabeça no ar… o filho…