Carlos fez estremecer a casa com as rijas pancadas que descarregou na porta.

Alguns vizinhos chegaram á janella.

O criado do escriptorio correu a receber as ordens do seu patrão mais novo.

Carlos, mesmo a cavallo, perguntou-lhe se tinha visto Manoel Quentino n'aquella tarde.

Disse-lhe o criado que o vira atravessar o mercado do peixe, em direcção a Campanhã; que, sendo esse o seu passeio predilecto, era provavel que…

Carlos não ouviu o resto, partiu a galope outra vez, na direcção indicada.

—Sume-te!—disse o criado comsigo—Parece que leva diabo no corpo.

Com igual rapidez seguiu Carlos toda a margem direita do rio, horas antes trilhada por Manoel Quentino. Era preciso ser excedente cavalleiro, para se não esbarrar por um caminho d'aquelles, a taes horas da noite e com tal impetuosidade de carreira.

Carlos dirigiu-se ao armazem de vinhos, que a casa Whitestone possuía em Campanhã. Nas vizinhanças morava o mestre tanoeiro, que acudiu a saber quem era e o que pretendia o nocturno cavalleiro, que ameaçava rebentar as dobradiças das grossas portas de castanho do armazem.

Vendo Carlos, ficou espantado. Carlos perguntou-lhe por Manoel Quentino.