Manoel Quentino, sentado no leito, tinha no rosto a gravidade do professorado, temperada por certo sorriso de duvida nas boas intenções e na efficacia do estudo do discipulo.
De um lado do leito, sentava-se Carlos Whitestone, partilhando a attencão entre as prelecções de Manoel Quentino e as festas ao gordo gato maltez, que se lhe viera roçar pelas mãos—prova de confiança, que nunca dera a José Fortunato, apesar de mais longa convivencia.
Havia ainda outro objecto a attrahir as attenções de Carlos e porventura a maior ou mais preciosa porção d'ellas,—era Cecilia.
Em pé, do outro lado da cama, tendo na mão a costura, de que frequentemente se descuidava, seguia com curiosidade as prelecções paternas e as objecções, com que as interrompia Carlos, e não podia disfarçar de todo o riso, que a singular lição lhe desafiava.
A chegada de José Fortunato não alterou esta disposição de cousas e de pessoas; não era elle homem para constranger ninguem.
—Ora vamos a isto;—começou Manoel Quentino—para lhe fallar a verdade, não sei bem por onde principie.
—Eu lhe digo…—ia Carlos a responder, quando Manoel Quentino o interrompeu.
—Então, então! Não principie já a atrapalhar, senão não temos nada feito. Ora espere lá… Deixe-me cá ver…
E, depois de pensar algum tempo, continuou:
—Usam-se no commercio tres livros principaes…