—Ora o que nos havia de apparecer!

E os dois despediram-se; José Fortunato para ir curtir em casa as cruas mágoas do coração; Antonia para assentar, no repouso do travesseiro, sobre a maneira de obter da cunhada do homem da sobrinha da sua comadre as informações de que precisava, para se encher de razão.

XXIV

EM QUE A SENHORA ANTONIA PROCURA ENCHER-SE DE RAZÃO

A cunhada do homem da sobrinha da comadre da senhora Antonia habitava, como da bôca da dita senhora soubemos, defronte de Mr. Richard Whitestone. Era a morada uma pequena casa terrea, a cuja meia porta passava a inquilina metade do tempo, observando ou transmittindo aos outros o resultado das suas observações.

Se o amor de saber define etymologicamente o philosopho, difficil será encontrar algures individualidade tão bem acondicionada para se lhe encabeçar o disputado titulo, como a snr.ª Joséfinha da Agua-benta; que por este nome era sua graça conhecida em todo o bairro.

Era mais que amor de saber o que a possuia; era ancia, era febre, era delirio!

Ás nove horas da manhã do dia seguinte áquelle, em que entre José Fortunato e Antonia se tramára, in limine, aquella conspiração, de que lavramos acta, achava-se a diligente criada de Manoel Quentino, inflammada no santo ardor domestico, á porta da sua, conhecida e amiga, no louvavel intuito de colher informações a respeito de Carlos Whitestone.

—Snr.ª Joséfinha!—chamou a snr.ª Antonia para dentro de casa, elevando, em desentoado falsete, a voz inclassificavel.

—Hui!—respondeu de dentro outra voz, digna de emparelhar com esta.