—Isso é uma peça de fazenda!
—Que me diz!
—Faz lá ideia do que alli está! Um estroina assim não ha! Recolhe-se a casa lá porque altas horas da noite. Dorme até ao meio dia. Ora veja a snr.ª Antoninha que vida póde ser a d'elle.
—Então joga?
—Elle joga, elle fuma, elle passa a vida nos botequins e nos theatros, elle bebe, elle anda sempre com más companhias.
—Que tal! Hein!
—Isso não faz ideia! Em casa anda tudo a ferver por causa d'aquelle menino. Não falla com o pae, a irmã passa um martyrio com elle. Disse-me a Susana, que é ainda minha prima, e que esteve lá a servir oito dias, que aquillo é uma pouca vergonha. Ás vezes está a mortificar aquella pobre irmã, e ralha, e ralha, e torna a ralhar, e ella então, coitadinha, chora que é uma dor do coração. Ha dias em que não faz outra cousa.
—Arrenego eu o Judas Iscariote!
—E então, snr.ª Antoninha, é um menino a quem tudo faz conta. Não sei se me entende? Seda e chita é tudo panno para elle fazer obra. Dizia o Luiz, que foi muito tempo criado d'elle, que eram tantas as cartas que recebia de differentes, que era uma cousa por maior!
—Tratante! O que elle precisava…