—Seja extravagante muito embora… mas… mas… nunca seja… nunca seja vil…

Carlos estremeceu ao ouvir aquella palavra, e levantou com vivacidade a cabeça.

—Senhor!—exclamou, mal conseguindo o respeito filial suffocar-lhe a indignação que sentira.

—Vil, sim—repetiu Mr. Richard com mais força, como se excitado por aquella apparencia de reacção.—Quero que não faça d'esta casa theatro das suas… aventuras… escandalosas.

—Mas…

—Lembre-se de que é aqui—proseguiu, sem o attender, o pae—aqui, debaixo d'estes tectos, que não tem a delicadeza de respeitar, que é aqui que embranqueceram os cabellos de seu pae… que foi aqui que sua mãe morreu… que é aqui que vive sua irmã.

—Creio que ainda não dei motivos para…

—Quem o procurou esta manhã? Com quem saiu de carruagem? Com que fim vendeu esse relogio?

Carlos calou-se. Parecia resolvido a guardar silencio, em relação áquellas perguntas; nem era de animo tão docil, que ouvisse, sem se irritar tambem, estas severas recriminações, feitas antes de julgamento minucioso.

O seu orgulho revoltou-se.