Mr. Richard realisára um grande esforço: pozera de parte o tom ceremoniatico com que até ahi tratára o filho.
Carlos, que já desviava o reposteiro, vendo que o pae não proseguia, curvou-se respeitosamente e saíu, como se não tivesse comprehendido o sentido d'aquellas insinuações.
Mr. Richard viu-o saír, e de novo se lhe carregaram as feições, que haviam já desanuviado de todo; ao mesmo tempo estalava-lhe entre os dedos uma avelã, com que estivera brincando, tal foi a força, de que a contrariedade lhe animou n'aquelle momento os musculos.
Jenny vira tudo isto, afflicta e irresoluta. Para sanar o mal, era necessario conhecer-lhe a causa, e ella ainda a não sabia. Levantou-se e foi encostar-se ao hombro do pae.
—Que tem?—disse-lhe com voz affectuosa.
—Faço quanto posso para viver em paz, mas já vejo que não é possivel.
—Então por quê?
—Pois não viste?
E levantou-se, dando alguns passos agitados na sala.
—Carlos tem vinte annos—acrescentou, passeiando ainda.—Aos vinte annos, ha já deveres para todo o homem… E se elle se esquece de que os tem e de que os deve e ha de cumprir… eu que sou pae…