Já ahi encontrou Antonia, que descia para ver quem tocava.
—Antonia—disse-lhe rapidamente Cecília—se for alguem a procurar-me… diga-lhe que… que não posso fallar, que… estou doente… Seja quem for… Entende?
—Entendo, sim, menina—respondeu Antonia, com um sorriso de quem entende de mais.
Foi com modos desabridos que recebeu Carlos…
Este perguntou-lhe se Manoel Quentino tinha ido de facto para o escriptorio, porque, vendo todas as janellas fechadas, lembrára-se de que tivesse talvez recaído.
Antonia respondeu:
—Pois fique descansado. Foi para o escriptorio, foi, sim, senhor. Elle agora está de todo. E a menina manda dizer que não póde fallar a ninguem, porque está doente.
—Doente?!—perguntou Carlos com uma inflexão de voz, que fez quasi arrepender Cecilia, que o escutava, da ordem que dera á criada.
—Não é cousa de cuidado, graças a Deus;—proseguiu esta—mas, em todo o caso, não a deixará tão cedo receber visitas… de ceremonia. E ha de dar-me licença, que tenho a minha vida.
E, acto contínuo, ouviu-se o bater da cancella, que se fechava.