Manoel Quentino fez que sorria; mas era evidente que alguma cousa lhe pezava no coração.

Depois de curta hesitação, aproximou-se de Carlos, e ainda com modo constrangido, disse-lhe, chamando-o de parte:

—Snr. Carlos, eu tenho-o por um homem de bem; por isso prefiro fallar-lhe com franqueza a andar com jogo encoberto, que nem é para o meu genio, nem para o seu.

Carlos ficou surprendido com aquellas palavras, tão inesperadas como mysteriosas.

—Então que temos, Manoel Quentino? Falle. Parecem communicações graves as que tem para me fazer—dizia elle, olhando-o interrogadoramente.

—Escute. Eu sei os favores que lhe devo e sei a fé que se póde depositar no seu caracter, que será tudo quanto quizerem, menos capaz de uma infamia.

Carlos escutava-o cada vez mais admirado.

Manoel Quentino proseguiu, augmentando-se-lhe o embaraço com que principiou:

—Mas… no mundo, em que vivemos, ha a verdade e ha as apparencias, e… não basta sómente attender á primeira, é preciso tambem salvar as outras…

—Mas a que vem tudo isso?—perguntava Carlos.