A de Mr. Brains formulava-se de ordinario assim:

—Este mundo é um grande theatro.

Pouco a pouco, ascendeu a conferencia a mais sublimados assumptos. A questão politica abriu campo a mais vasta questão social, onde os dois inglezes continuaram a conservar cada um a sua provada individualidade ao serviço da causa da patria commum.

Mr. Brains, o optimista, abraçava-se com entranhado affecto ás utopias. N'este momento, estendendo a vista através dos seculos futuros, estava percebendo ao longe a tão almejada unidade dos povos, realisada por uma só nação, por uma legislação unica, por uma lingua commum; a suppressão da palavra «guerra» d'esse vocabulario universal, em consequencia de não ter objecto a que se applicar; e depois a materia, subjugada pela intelligencia, obrigada a trabalhar, e o espirito, livre da attenção as impertinentes exigencias da vida positiva, a entrar em especulações de ordem superior, em concepções metaphysicas.

—Então é que se realisará o ultimo fim do homem na terra! Que não viva eu, Mr. Whitestone, para saudar esse grande dia! Que não possa dizer, na lingua universal de então, o meu «bom dia» ao sol que romper!

Mr. Richard, sorrindo com ares de quem não tinha fé muito ardente em tão dourado futuro, perguntou:

—E que lingua será essa, Mr. Brains? alguma das existentes hoje, que se generalisará; ou outra nova, que terá de se formar ainda?

—Quem o póde dizer, Mr. Richard? Isso é segredo do futuro. Mas não ha duvida que existem grandes plausibilidades a favor da ingleza.

—Ah! sim?

—Por certo. Primeiro que tudo, é a Inglaterra a primeira nação colonial. Em todas as cinco partes do mundo é já familiar o inglez. A joven America, nos seus elementos mais vigorosos, nos que hão de vencer os outros, é de origem ingleza tambem. E depois, meu caro Mr. Richard, a França tem em si inoculado o principio destruidor, que ha de sacrifical-a; a França é papista, o que vem a ser o mesmo que estar condemnada á morte. Demais, o caracter philosophico da lingua ingleza…