Quando Carlos entrou, Mr. Richard estava em pé, encostado ao marmore do fogão. Tinha a expressão tão severa, quanto era possivel á sua physionomia ingleza, e conservava na mão a carta de Carlos, como quem acabava de a ler n'aquelle momento.

Carlos parou no meio da sala, esperando que o pae lhe dirigisse a palavra.

Mr. Whitestone estendeu para o filho a carta aberta, perguntando com modo rapido e incisivo:

—Que ha de verdade n'isto que se diz aqui?

—Tudo—respondeu Carlos, procurando dar á voz a firmeza, que não sentia.

Mr. Whitestone enrugou a fronte ao ouvir a resposta; fez um leve movimento de hombros e de labios, e, passando a carta para o filho, apenas lhe disse:

—Ahi a tem. Rasgue-a, queime-a. Deve fazel-o… porque destruirá assim a prova de uma nova… infamia.

As faces de Carlos cobriram-se de intenso rubor.

—Meu pae!—balbuciou elle.

—Repito-o; de uma infamia—proseguiu Mr. Richard com redobrada acrimonia.—Não sou eu o primeiro que lh'o diz; e se já se calou vergonhosamente diante da primeira accusação, não é muito que escute a segunda com a mesma… humildade.