—Então não saí?
—E como o conseguiste?
—Mais de vagar!… Esse é o meu segredo. Diga, não estará Carlos ainda justificado?
Um sorriso foi a resposta que obteve esta pergunta; sorriso de orgulho, de affecto, de commoção, que tudo estava então experimentando aquelle coração de pae.
—Carlos tem uma alma generosa, leal; eu tenho sido devéras injusto com elle.
Jenny exultou ao ouvir esta confissão.
—Escuso de perguntar—disse ella—se foi indulgente com o culpado: tenho até a pedir-lhe perdão de ter antes exigido a promessa d'aquillo, que por certo espontaneamente faria.
—Enganas-te; eu castigo.
Jenny olhou-o inquieta.
—O castigo é um dever moral—proseguiu o pae.—É o meio de regeneração. As almas fracas e vis castigam-se com rigores; só o mêdo póde refreial-as. Mas Paulo, apesar da sua fraqueza, tem vigorosos ainda os instinctos da honra; para estes o castigo, que regenera, é o pagar a culpa com o beneficio. No mesmo dia, em que Manoel Quentino for meu socio, Paulo será nosso guarda-livros, ser-lhe-hão augmentados os salarios e confiada a caixa.