E Mr. Richard, com certo modo embaraçado, aproximou-se da secretária, abriu-a e tirou de lá um magnifico relogio e corrente, de construcção ingleza, objecto que expressamente havia encommendado de Londres para presentear o filho no dia dos annos d'elle.

A ausencia de Carlos na vespera impedira-lhe realisar o affectuoso intento.

Agora como que sentia vergonha de ter a sua affeição resistido inteira ao delicto filial, e de não lhe restar já no coração força bastante para reprimir as expansões d'ella.

—Ahi está—dizia Mr. Richard a Jenny, procurando com um tom sacudido tirar ás palavras a menor sombra de affecto.—Se quizeres, pódes dar isso a teu irmão. Para elle é que eu o destinava, se hontem…

Jenny tomou o relogio das mãos do pae, a quem agradeceu com um sorriso de ternura.

Mr. Richard proseguiu:

—Que eu não sei se Carlos o quererá; ainda que é objecto de preço…

—O maior preço é ser uma lembrança sua, senhor.

Mr. Richard resmoneou um monosyllabo inglez e ensaiou um gesto de inveterado scepticismo, que não lhe saíu muito expressivo.

Jenny acrescentou: