—Deixei os meus companheiros e sentei-me extenuado; nem queria ver, nem apreciava nada do que em torno de mim succedia. A final, porém, por fazer alguma cousa, reparei nos vizinhos de hombro a hombro, entre quem a sorte me arrojára.

Jenny ergueu para o irmão a vista, com um modo particular.

—Do lado direito, encontrei um homem gordo, que dormia. Como a felicidade alheia não é espectaculo de que nos venha conforto, quando o infortunio nos punge, desviei com despeito os olhos d'esta bemaventurança e voltei-os…

—Para o lado esquerdo?

—Justamente; para o lado esquerdo.

—E… e o que achaste d'esse lado do coração, Charles?—perguntou
Jenny, sorrindo.

—Ai, Jenny! ai, minha pobre irmã! prepara a tua santa paciencia, que aqui venho eu confiar-te mais uma das minhas paixões.

—Eu logo vi; não sei porque foi que t'o estava a ler no rosto. Então é devéras uma paixão?

—Receio que sim.

—Pobre Charles! Que fatalidade!