A bôca do sapo

Interior caseiro, modestamente mobilado. CARLOS e MARIA CELESTE conversam sentados, junto duma mêsa. A voz dêle tem um timbre imperativo e enérgico; a dela é aveludada, melodiosa, humilde.

Tarde de novembro. Ameaça chover.

CARLOS

Compreendes que me seria muito desagradável que alguêm soubesse o que tem havido entre nós...

MARIA CELESTE, como se despertasse:

Ah!... o que tem havido...

CARLOS

Ou o que possa porventura haver ainda... Porque eu, apesar do que vai acontecer, não[{20}] quero romper comtigo duma maneira absoluta. Não se vive impunemente três anos com uma mulher. És uma rapariga de coração—não to digo para que mo agradeças; e sinto que não devo abandonar-te...

MARIA CELESTE

Não, Carlos, enganas-te; eu nunca mais serei tua, haja o que houver. Nunca mais!