Pensei então em despedir o caixeiro. (Sinal de aprovação do advogado). Mas aqui outro grave obstáculo se levanta! O caixeiro é um antigo empregado da casa, muito conhecedor do assunto; é êle, póde dizer-se, a alma do negócio! Despedi-lo seria ver fugir a freguezia, ver ir tudo por água abaixo... sem apelação!
Ficam os dois calados. Ouve-se a respiração alta do cliente, como um estertor.
O ADVOGADO, erguendo-se:
Pois meu caro amigo, visto isso, não sei; não sei o que deva dizer-lhe... (Estende-lhe a mão pesaroso). O melhor de tudo é ter paciência: a paciência é uma virtude...[{119}]
O CLIENTE, desalentado:
E o mundo? E então o mundo o que dirá? o que dirá?
O ADVOGADO
O mundo dirá que o meu amigo é uma excelente pessoa, que sua mulher foi uma ingrata em lhe fazer o que lhe fez...
O CLIENTE, com uma lágrima a borbulhar ao canto do ôlho:
E foi. Palavra de honra que foi.