A sua alegria foi grande. Pela primeira vez, ia passar-lhe pelas mãos dinheiro que lhe dava a terra, sempre mãe e sempre virgem. Tratou de vender, mas como? a quem? No lugar havia um ou outro que os queria comprar por preços infimos. Com decisão foi ao Rio procurar comprador. Andou de porta em porta. Não queriam, eram muitos. Ensinaram-lhe que procurasse um tal Sr. Azevedo no Mercado, o rei das fructas. Lá foi.

—Abacates! Ora! Tenho muitos... Estão muito baratos!

—Entretanto, disse Quaresma, ainda hoje indaguei em uma confeitaria e pediram-me pela duzia cinco mil réis.

—Em porção, o Sr. sabe que...

—É isso... Emfim, se quer mande-os...

Depois, tilintou a pesada corrente de ouro, pôz uma das mãos na cava do collete e quasi de costas para o Major:

—É preciso vel-os... O tamanho influe...

Quaresma os mandou e, quando lhe veiu o dinheiro, teve a satisfação orgulhosa, de quem acaba de ganhar uma grande batalha immortal. Acariciou uma por uma aquellas notas encardidas, leu-lhes bem o numero e a estampa, arrumou-as todas uma ao lado da outra sobre uma meza e muito tempo levou sem animo de trocal-as.

Para avaliar o lucro, descontou o frete, de estrada de ferro e carroça, o custo dos caixões, o salario dos auxiliares e, após esse calculo que não era laborioso, teve a evidencia de que ganhara 1$500, mil e quinhentos réis, nem mais nem menos. O Sr. Azevedo tinha-lhe pago pelo cento a quantia com que se compra uma duzia.

Assim mesmo o seu orgulho não diminuiu e elle viu naquelle ridiculo lucro objecto para maior contentamento do que se recebesse um avultado ordenado.