—E dahi?
—Tenho aqui uma carta do Neves, dirigida ao senhor. Se o Major quer responder (é melhor já) que não houve eleição... Quer?
Quaresma olhou o doutor com firmeza, coçou um instante o cavaignac e respondeu claramente, firmemente:
—Absolutamente não.
O doutor não se zangou. Pôz mais uncção e maciez a na voz, adduziu argumentos: que era para o partido, o unico que pugnava pelo levantamento da lavoura. Quaresma foi inflexivel; disse que não, que lhe eram absolutamente antipathicas taes disputas, que não tinha partido e mesmo que tivesse não iria affirmar uma cousa que elle não sabia ainda se era mentira ou verdade.
Campos não deu mostras de aborrecimento, conversou um pouco sobre cousas banaes e despediu-se com o ar amavel, com a jovialidade mais sua que era possivel.
Isto se passou na terça-feira, naquelle dia de luz fosca e irritante. Á tarde houve trovoada, choveu muito. O tempo só levantou na quinta-feira, dia em que o Major foi surprehendido com a visita de um sujeito com um uniforme velho e lamentavel, portador de um papel official para elle, proprietario do «Socego», conforme mesmo disse o tal homem fardado.
Em virtude das posturas e leis municipaes, rezava o papel, O Sr. Polycarpo Quaresma, proprietario do sitio «Socego» era intimado, sob as penas das mesmas posturas e leis, a roçar e capinar as testadas do referido sitio que confrontavam com as vias publicas.
O Major ficou um tempo pensando. Julgava impossivel uma tal intimação. Seria mesmo? Brincadeira... Leu de novo o papel, viu a assignatura do Dr. Campos. Era certo... Mas que absurda intimação esta de capinar e limpar estradas na extensão de mil duzentos metros, pois seu sitio dava de frente para um caminho e de um dos lados acompanhava outro na extensão de oitocentos metros—era possivel!?
A antiga corvéa!... Um absurdo! Antes confiscassem-lhe o sitio. Consultando a irmã, ella lhe aconselhou que falasse ao Dr. Campos. Contou-lhe então Quaresma a conversa que tivera com elle dias antes.