—O padrinho...
—Está doido, disse Coleoni. Per la madona! Pois um homem que está quieto, socegado, vem metter-se nesta barafunda, neste inferno...
O doutor voltava já inteiramente vestido, com a sobrecasaca funebre e a cartola reluzente na mão. Vinha irradiante e o seu rosto redondo reluzia, excepto onde o grande bigode punha sombras. Ainda ouviu as ultimas palavras do sogro, pronunciadas com aquelle seu portuguez rouco.
—Que ha? perguntou elle.
Coleoni explicou a repetiu os commentarios que já fizera:
—Mas não ha tal, disse o doutor. É o dever de todo o patriota... Que tem a idade? Quarenta e poucos annos, não é lá velho... Póde ainda bater-se pela Republica...
—Mas não tem interesse nisso, objectou o velho.
—E ha de ser só quem tem interesse que se deve bater pela Republica? interrogou o doutor.
A moça que acabava de ler a carta que tinha escripto, mesmo sem levantar a cabeça, disse:
—De certo.