—Esperem um pouco.
Correu á casa e foi consultar os seus compendios e tabellas. Demorou-se e a lancha avançava, os soldados estavam tontos e um delles tomou a iniciativa: carregou a peça e disparou-a.
Quaresma reappareceu correndo, assustado, e disse, entrecortado pelo resfolegar:
—Viram bem... a distancia... a alça... o angulo... É preciso ter sempre em vista a efficiencia do fogo.
Fontes veiu e sabendo do caso no dia seguinte riu-se muito:
—Ora, Major, você pensa que está em um polygno, fazendo estudos praticos... Fogo para diante!
E assim era. Quasi todas as tardes havia bombardeio, do mar para as fortalezas, e das fortalezas para o mar; e, tanto os navios como os fortes, sahiam incolumes de tão terriveis armas.
Lá vinha uma occasião, porém, que acertavam, então os jornaes noticiavam: «Hontem, o forte Academico, fez um maravilhoso disparo. Com o canhão tal, metteu uma bala no «Guanabara». No dia seguinte, o mesmo jornal rectificava, a pedido da bateria do cáes Pharoux que era a que tinha feito o disparo certeiro. Passavam-se dias e a cousa já estava esquecida, quando apparecia uma carta de Nictheroy, reclamando as honras do tiro para a fortaleza de Santa Cruz.
O Tenente Fontes chegou e esteve examinando o canhão com o faro de entendedor. Havia uma trincheira de fardos de alfafa e a boca da peça sabia por entre os fiapos da palha, como as guellas de um animal feroz occulto entre hervas.
Olhava o horizonte, depois de exame attento ao canhão, e considerava a ilha das Cobras, quando ouviu o gemer do violão e uma voz que dizia: