Caldas andava aborrecido, pessimista. O seu processo ia mal e até agora o Governo não lhe tinha dado cousa alguma. O seu patriotismo se enfraquecia com o diluir-se da esperança de ser algum dia Vice-Almirante. É verdade que o Governo ainda não organizara a sua esquadra; entretanto, pelo rumor que corria, elle não commandaria nem uma divisão. Uma inquidade! Era velho um pouco, é verdade; mas, por não ter nunca commandado, nessa materia elle podia despender toda uma energia moça.

—O Almirante não deve falar assim... A patria está logo abaixo da humanidade.

Meu caro Tenente, o senhor é moço... Eu sei o que são essas cousas...

—Não se deve desesperar... Não trabalhamos para nós, mas para os outros e para os vindouros, continuou Fontes persuasivo.

—Que tenho eu com elles? fez agastado Caldas.

Bustamante, o General e Quaresma assistiam a pequena discussão calados e os dous primeiros um tanto sorridentes com a furia de Caldas, que não se cansava de dansar a perna e alizar os longos favoritos brancos. O Tenente respondeu:

—Muito, Almirante. Nós todos devemos trabalhar para que surjam épocas melhores, de ordem, de felicidade e elevação moral.

—Nunca houve e nunca haverá! disse de um jacto Caldas.

—Eu tambem penso assim, accrescentou Albernaz.

—Isto ha de sempre ser o mesmo, adduziu scepticamente Bustamante.