O Major ficou na janella que dava para o quintal. O tecido do céo se tinha adelgaçado; o azul estava sedoso e fino; e tudo tranquillo, sereno e calmo.
A Estephania, a doutora, a de olhos maliciosos e quentes, passou, tendo ao lado Lalá, que levava, de quando em quando, o lenço aos olhos já seccos, a quem aquella dizia:
—Eu, se fosse você, não comprava lá... É caro! Vai ao «Bonheur des Dames»... Dizem que tem cousas boas e é pechincheiro.
O Major voltou de novo a contemplar o céo que cobriu o quintal. Tinha uma tranquillidade quasi indifferente. Genelicio appareceu demasiadamente funebre. Todo de preto, elle tinha afivelado ao rosto a mais profunda mascara de tristeza. O seu pince-nez azulado tambem parecia de luto.
Não lhe fôra possivel deixar de ir trabalhar; um serviço urgente, fizera-o indispensavel na repartição.
—É isto, General, disse elle, não esta lá o Dr. Genelicio, nada se faz... Não ha meio da «Marinha» mandar os processos certos... É um relaxamento...
O General não respondeu; estava deveras combalido. Bustamante e Caldas continuavam a conversar baixo. Ouviu-se o rodar de uma carruagem na rua. Quinota chegou á sala de jantar:
—Papae, está ahi o coche.
O velho levantou-se a custo e foi para a sala de visitas. Falou á mulher que se ergueu com a face contrahida, exprimindo uma grande contensão. Os seus cabellos já tinham muitos fios de prata. Não deu um passo; esteve um instante parada e logo caiu na cadeira, chorando. Todos estavam vendo sem saber o que fazer; alguns choravam; Genelicio tomou um partido: foi retirando os cirios de ao redor do caixão. A mãe levantou-se, veiu até ao esquife, beijou o cadaver: minha filha!
Quaresma adiantou-se, foi sahindo com o chapéo na mão. No corredor, ainda ouviu Estephania dizer a alguem: o coche é bonito.