Ao que Castro interrogava:

—Qual dellas?

—A Ismenia, a segunda, respondia Albernaz e logo accrescentava: tu é que és feliz: só tiveste filhos.

—Ah! meu amigo! falava o outro cheio de malicia, aprendi a receita. Porque não fizeste o mesmo?

Despedindo-se, o velho Albernaz corria aos armazens, ás lojas de louça, comprava mais pratos, mais compoteiras, um centro de mesa, porque a festa devia ser imponente e ter um ar de abundancia e riqueza que traduzisse o seu grande contentamento.

Na manhã do dia da festa commemorativa do pedido, D. Maricota amanheceu cantando. Era raro que o fizesse: mas nos dias de grande alegria, ella cantarolava uma velha aria, uma cousa do seu tempo de moça e as filhas que sentiam nisto signal certo de alegria corriam a ella, pedindo-lhe isto ou aquillo.

Muito activa, muito diligente, não havia dona de casa mais economica, mais poupada e que fizesse render mais o dinheiro do marido e o serviço das criadas. Logo que despertou, pôz tudo em actividade, as criadas e as filhas. Vivi e Quinota fôram para os doces; Lalá e Zizi auxiliaram as raparigas na arrumação das salas e dos quartos, emquanto ella e Ismenia iam arrumar a mesa, dispol-a com muito gosto e esplendor. O movel ficaria assim galhardo desde as primeiras horas do dia. A alegria de D. Maricota era grande; ella não comprehendia que uma mulher pudesse viver sem estar casada. Não eram só os perigos a que se achava exposta, a falta de arrimo; parecia-lhe feio e deshonroso para a familia. A sua satisfação não vinha do simples facto de ter descontado uma letra, como ella dizia. Vinha mais profundamente dos seus sentimentos maternos e de familia.

Ella arrumava a mesa, nervosa e alegre; e a filha fria e indifferente.

—Mas, minha filha, dizia ella, até parece que não é você quem se vai casar! Que cara! Você parece ahi uma mosca morta.

—Mamãe, que quer que eu faça?