—Canta muito bem.

—Está no ultimo anno do Conservatorio, observou ainda Albernaz.

Chegou a vez de Ricardo. Elle occupou um canto da sala, agarrou o violão, afinou-o, correu a escala; em seguida, tomou o ar tragico de quem vai representar o Oedipo-Rei e falou com voz grossa: «Senhoritas, senhores e senhoras». Parou. Concertou a voz e continuou: «Vou cantar «Os teus braços», modinha de minha composição, musica e versos. É uma composição terna, decente e de uma poesia exaltada». Seus olhos, por ahi, quasi lhe sabiam das orbitas. Emendou: «Espero que nenhum ruido se ouça, porque senão a inspiração se evola. É o violão instrumento muito... mui...to dê li ca do. Bem».

A attenção era geral. Deu começo. Principiou brando, gemebuado, macio e longo, como um soluço de onda; depois, houve uma parte rapida, saltitante, em que o violão estalava. Alternando um andamento e outro, a modinha acabou.

Aquillo tinha ido ao fundo de todos, tinha acudido ao sonho das moças e aos desejos dos homens. As palmas foram ininterruptas. O General abraçou-o, Genelicio levantou-se e deu-lhe a mão, Quinota, no seu immaculado vestido de noiva, tambem.

Para fugir aos cumprimentos, Ricardo correu á sala de jantar. No corredor chamaram-n'o: Sr. Ricardo, Sr. Ricardo! Voltou-se. Que ordena minha senhora? Era uma moca que lhe pedia uma copia da modinha.

—Não se esqueça, dizia ella com meiguice, não se esqueça. Gosto tanto das suas modinhas... São tão ternas tão delicadas... Olhe: dê aqui a Ismenia para me entregar.

A noiva de Cavalcanti approximava-se e, ouvindo falar em seu nome, perguntou:

—Que é, Dulce?

A outra explicou-lhe. Ella aceitou a incumbencia: e, por sua vez, perguntou a Ricardo com a sua voz dolente: