(Lendo a carta e cynicamente admirada)

An?! O quê?! Que diz elle?! Bravo! Bravo!
Muito bem! Apoiado! É admiravel!

(Largando gargalhada sarcastica)

Eis uma acção esplendida, louvavel!

(Sentando-se)

Coitado! Que desgraça! Pobresito,
Que diz voltar em tudo bem contricto
Aos braços da mulher! (rindo) sim, sim, coitado
Do triste e pobre errante, transviado
Do bem!... Mas que pateta! Mas que tolo!
Vae-te menino, vae-te, que o consôlo
Não me falta, acredita; pódes crêr!
E lança-te nos braços da mulher,
Pois que duvida? Ora essa? Porque não?

(Com sarcasmo)

Mas que parvo, irrisorio e toleirão,
Não veem!? Que ridiculo ignorante,
Que nem ao menos sabe ser amante!
E deixa carta, sem ter a coragem
De dizer que se acolhe na frondagem
Da virtude!

(Reconsiderando)

Virtude! Mas que é isso?!
Um nome que se torna ôco e omisso
Entre nós. A virtude é ter dinheiro
Que bem nos sustente o orgico viveiro,
Porque amantes, se atiram para o lixo,
Vindo outros que sustentem o capricho!