RAINHA.

Frolalta, pois qu'es discreta
Nada te posso encobrir;
Porque, se queres sentir,
A huma mulher discreta
Tudo se ha de descobrir.
O dia qu'entrei aqui,
Que a Seleuco recebi,
Logo nesse mesmo dia
No Principe filho vi
Os olhos com que me via.
Este principio soffri-lho,
Para ver se se mudava;
Antes mais se accrescentava:
Eu amava-o como filho,
E elle d'outr'arte me amava.
Agora vejo-o no fim
Por se me não declarar.
E pois ja que a isso vim,
A morte que o levar,
Me leve tambem a mim.
Porque ja que minha sorte
Foi tão crua e desabrida, [{284}]
Que me não quer dar sahida;
Sejamos juntos na morte,
Pois o não somos na vida.
Oh quem me mandou casar,
Para ver tal crueldade!
Ninguem venda a liberdade,
Pois não póde resgatar
Onde não tẽe a vontade.
Que não ha mor desvario,
Que o forçado casamento
Por alcançar alto assento;
Que, emfim, todo o senhorio
Está no contentamento.
Não sei se o vá ver agora,
Se será tempo conforme,
Ou se imos a deshora.

FROLALTA.

Despois iremos, Senhora,
Que agora dizem que dorme.

Entra o Physico a tomar-lhe o pulso, e tomando-o diz:

PHYSICO.

Su madrasta oyó nombrar,
Y el pulso se le alteró:
Esto no entiendo yo,
Porque para le alterar
El corazon le obligó.
Pues que el corazon se altere,
Es porque en un momento
Algun nuevo vencimiento
De aficion terrible le hiere, [{285}]
Que causa tal movimiento.
Pues que aficion cabe así
Con madrasta? Digo yo,
Dos razones hay aqui:
La una dice, que sí,
La otra dice, que no.
Empero yo determino
De exprimentar la verdad,
Y hacer una habilidad,
Que declare es agua, ó vino
Esta su enfermedad.
Porque toda esta mañana
Tengo estudiado su mal,
Sin ver causa efectual
De su dolencia inhumana,
Ni otra de su metal.
Llamar quiero este asnejon;
Mas aun debe de dormir,
Segun que es dormilon.
Sancho? ó Sancho?

SANCHO.

Ah Señor.

PHYSICO.