BROMIA.
Voyme á las tierras estrañas.
Adó ventura me guia.
SCENA IV.
Feliseo só.
Phantasias de donzellas,
Não ha quem como eu as quebre;
Porque certo cuidão ellas,
Que com palavrinhas bellas
Nos vendem gato por lebre.
Esta tẽe lá para si
Qu'eu sou por ella finado;
E crê que zomba de mi;
E eu digo-lhe que, si, [{310}]
Sou por ella esperdiçado.
Preza-se d'humas seguras;
E eu não quero mais Frandes:
Dou-lhe trela ás travessuras,
Porque destas coçaduras
Se fazem as chagas grandes.
Qu'estas, que andão sempre á vela,
Estas vos digo eu que coço;
Porque de firmes na sella,
Crem que falsão a costella,
E ficão pelo pescoço.
Que quando estas damas tais
Me cachão, então recacho.
Mas disto agora nó mais.
Quero-me ir daqui ao cais
Ver se algumas novas acho.
SCENA V.
Jupiter e Mercurio.
JUPITER.
Oh grande e alto destino!
Oh potencia tão profana!
Que a setta d'hum menino
Faça que meu ser divino
Se perca por cousa humana!
Que m'aproveitão os ceos,
Onde minha essencia mora
Com tanto poder, se agora [{311}]
A quem me adora por deos,
Sirvo eu como a senhora?
Oh quão estranha affeição!
Quem em baixa cousa vai pôr
A vontade e o coração,
Sabe tão pouco d'Amor,
Quão pouco Amor de razão.
Mas que remedio hei de ter
Contra mulher tão terribil,
Que se não póde vencer?
MERCURIO.